15/02/2018

TRAMA FANTASMA- OSCAR 2018



Fazia um bom tempo, que eu não via um filme retratar o comportamento Manico Depressivo com tamanha plasticidade.

O romance vale por muitos aspectos, primeiro sem duvida alguma é a beleza e profundidade estética do protagonista.   Interpretado por Daniel Day Lewis,o retrato é o da vida de um estilista famoso Sr Reynolds Woodstock ,que encontra em Alma (Vicky Krieps) , sua mais nova amante, a redenção e “ fuga para saúde”. Este encontro, mergulha na profundidade , fragilidade e sensibilidade  de seus interlocutores . Perfeito ao ser engatado  por neuroses , ao mesmo tempo que liberta ao se equilibrar em ousadia e até mesmo em questionáveis  perversidades  amorosas.

Rendendo-lhe uma  indicação ao Oscar , Daniel faz Reynolds carregar  em seu olhar profundo e misterioso, a sedução,  enquanto aos espectadores mostra  claramente o turbilhão de contradições em sua mente atormentada  .

Em um de seus muitos episódios de depressão, ao buscar paz e lucidez,  encontra Alma ,quando se vê envolvido em mais um romance , a torna amante, ao mesmo tempo que  se alimenta de dor para suas criações.

Alma entrega-se a vida e ao amor do mesmo modo que Reynolds  a criação de seus vestidos, a diferença é que Alma vai se fortalecendo tornando-se maior no amor e na vida, enquanto  Reynalds continua andando em círculos com seus afetos e seus fantasmas.
Há uma lógica clássica na obsessão do protagonista.

- O mundo ao seu redor precisa estar milimetricamente acomodando conforme Suas demandas  psíquicas , de uma falsa e fantasiosa força  que lhe seria aparentemente continente e estruturante, só assim e a partir de então  poderá mergulhar e perder-se completamente em um lugar onde ira criar ao transformar sua angústia em beleza

Essa criação, surge de um fórceps cognitivo de tamanha envergadura ,acabando por obrigar o corpo a padecer , para que o homem retorne ainda em tempo de executar sua obra.

Para alem de tudo isso, o que mais me empolgou na historia toda, é o caminho seguido por Alma, quando traz o veneno como bem orquestrador de “cura” ,o veneno derruba, traz a tona a  percepção a corporeidade,o sensorial e recoloca o Ser no seu lugar  de humano, facilita a fragilidade para que possa ser parido no amor.

Se nos dias atuais um diagnostico de transtorno maníaco depressivo ou de Transtorno Bipolar ,leva em media 10 anos para ser confirmado , imagina na década de 50?

Por FIM o final e este vem trazendo, de forma magistral o pacto do casal e o reconhecimento da  ética escolhida e assinada por ambos.

Foi demais, tão bom que me deu vontade de escrever.Bravo!

Parabéns ao diretor Sr. Paul Thomas Anderson , que em sua própria obsessão conseguiu retratar com profundidade a neurose a beira do abismo  e a beleza no ápice da construção humana , ambas costurando-se entre tramas afetivas.
Analise critica por  Alba Regina Bonotto.

20/10/2015

Estranhas Historias De Seres Normais

Em fim ja nas bancas nossa Antologia de contos fantásticos, produzido por alunos da Oficina de Literatura Andre Carneiro em Curitiba.
Tem um conto meu la  "o inferno da mente" que foi oficiando pelo próprio Andre e toda turma.
Se Alguém tiver interesse, tenho alguns exemplares por R$ 30,00 Bata passar um email para :
albaregina.bonotto@gmail.com



25/09/2015

Epifania (é uma súbita sensação de entendimento ou compreensão da essência de algo)




Com a chegada da maturidade  e o nascimento da minha netinha, chegou também uma nova nota de amor pela vida.  Tão  silenciosa quanto poderosa. Um verdadeiro reset na alma.  Veio colocando os problemas no exato tamanho de sua realidade.   Tudo ficou pequeno e o sentido da coisas se refaz a cada descoberta a cada espanto a cada sorriso da doce Tetê . 

 Com ela estou vivendo doces momentos de epifania, me sentindo como a Clarice Lispector que inúmeras vezes redescobre as coisas e os acontecimentos mais simples como uma criança que se depara com algo pela primeira vez e vive o encantamento. da descoberta.
                  
A pequena  está  com 7 meses e a vovó está  a 4 meses sem fumar, depois de ter fumado mais de 30 anos.  Quando paro pra pensar,  tenho uma sensação estranha, afinal por muitos anos  acreditei que eu jamais conseguiria abondar este vício,mas consegui e a verdade é que sinto ter resgatado a pessoa que era originalmente antes do cigarro, antes de incorporar esse comportamento tabagista estou falando de tudo que fui antes dos 15 anos..  

Não posso me furtar de reconhecer que o desejo de eliminar este habito vinha de longa data, ha mais ou menos uns 4 anos. Assim fui tomando  medidas que achei possível nesse e em cada tempo , elas  dizem respeito a pequenas modificações. Depois de ver uma reportagem sobre os males do cigarro, descobri que a limpeza do pulmão ocorre no período da manhã e que este era o pior horário para inalar essa fumaça toxica. Diante disso não tive duvidas , exclui os cigarros matinais.

O próximo passo ,foi mudar para uma tipo de cigarro suave e reduzir  a nicotina pela metade, porem continuava fumando uma quantidade indevida. Nos últimos dois anos, sempre depois do Ano Novo eu reduzia para três cigarros dia, durante um mês, queria ficar mais tempo assim ,mas  logo o vicio voltava com tudo e eu passava a fumar 20 cigarros a cada 24 horas.Foi um longo caminho.

Agora estou reencontrado  com meu eu, isso é  maravilhoso,  redescubro uma nova força e a máxima "Eu posso" ecoa dentro de mim.Como consegui de fato? Penso que o Start foi com esse vovorecer, com ele fui buscar ajuda e a primeira e mais pratica foi química , usei o que ha de mais moderno no tratamento  anti tabagismo, período que durou  dois meses . 

Usei a medicação como apoio e quando senti que a dependência química a nicotina estava sob controle, fui diminuindo a dose . Em uma semana me livrei dos remédios. Agora estou bem e sinto no meu coração  que não  vou retroceder.                  

As vezes olho ali atrás  e tenho a sensação que aquela fumante compulsiva nunca fez parte de mim, um verdadeiro estranhamento, em outros momentos sinto que ela esta ali a espreita a espera de uma nova oportunidade que decididamente não permitirei que aconteça

É como se, o período que fui possuída pelo vício ,tenha revelado o  meu auto encarceramento existencial e agora uma força  maior toma posse da minha vontade e simplesmente resolve  me libertar, estou  deliberadamente sob a chancela da vontade de poder. 

As três primeiras semanas,  foram as mais difíceis, com instantes de ansiedade abruptos que se dissipam com a mesma velocidade do click de um isqueiro.Mas o mais incrível e que vale uma analise, eram os sonhos, tinha pesadelos terríveis, sempre que estava sendo roubada ou que um bandido estava querendo extirpa uma pedaço do meu corpo. 

É mole? Imagino que se deva exatamente a falta química da nicotina no corpo, o cérebro representa isso como algo ruim afinal esta viciado. Terrível , não?.
Felizmente a fase dos pesadelos passou, e com isso a bonança  interior começa a se avolumar e em meu intimo  a base da minha estrutura  de pensamento começa a encontrar paz.

Certa vez um psiquiatra falou que largar o cigarro em termos de comprometimento químico,emocional e comportamental era mais dificil do que largar a cocaína, apesar de nunca ter usado cocaína posso entender de onde vem essa afirmação,realmente os fatores que vedam essa dependência tabagista transcendem a coisa química.

Felizmente o momento certo aconteceu, ele esta inteiramente ligado a estrutura de pensamento aos valores, a afetividade a emoção,ao perdoar-se e ao permitir-se. Finalmente entendi que sou o que posso ser, que fiz tudo que fui capaz de fazer e que somos todos anjos em universo terrivelmente infinito e hostil a nossa pequena compreensão. Então que sejamos tudo que pudermos no tempo que pudermos.

14/08/2015

Vovórecendo

Parte I A Notícia    

Que incrível é a vida! Alguns dizem que agente encontra um saber pleno sobre ela quando nasce ou morre alguém da família.Em meu caso o abalo foi silencioso, andou o mais longe na introspecção das noites  onde me levava a múltiplas direções.Essa coisa de ler muito, estudar muito, pesquisar muito às vezes nos da a sensação de que estamos prontos ,mas ser Avó? Hummm não tinha a menor noção de como isso seria  até acontecer.

Pois cá estou, bobinha da Silva, como quase toda a Vovó que conheci. Sinto-me revigorada ,algo que nada tem haver com idade mas com disposição para a vida, paradoxal não?Primeiro vem a noticia, com ela um misto de espanto e duvida, Será MESMO? Chegou a hora?

É estranho, assim que a noticia se espalha,começa os parabéns, as brincadeiras, você passa ser vovó de todo mundo, não tem nem tempo de assimilar a ideia, chega a  ter uma sensação de sufocamento; parece que estão falando de outra pessoa, a ficha vai caindo aos poucos.

Você terá um novo papel existencial e nem foi consultada  , sua participação é extremamente ligada ao fato de ser a mãe de um dos envolvidos na produção do 
serzinho que está por chegar.

Comigo aconteceu assim. Fiquei em primeiro lugar preocupada com minha filha, em saber como ela estava como estaria com a gravidez e o parto, com seu companheiro e com o meio em seu entorno. 

Um alerta direcionado de mãe para filha, e uma determinação interna e instintiva que me dizia: “bem sou mãe, antes de ser avó e até o nascimento do bebe é como mãe que estarei atenta e vigilante”, e foi assim que aconteceu só me senti avó quando peguei aquela belezinha cabeluda pela primeira vez.

Até La, fui recebendo as emoções que tinham com tranquilidade e quando vi  estava reeditando toda  a minha historicidade maternal ,de uma forma totalmente natural e serena .

A medida que a barriga dela crescia, minhas lembranças de mãe voltavam como uma delicada cachoeira estruturante.

Lembrei-me da gravidez, das alegrias e tristezas que andaram com ela, lembrei-me do parto, da felicidade e do amor instantâneo que veio ao ver seu rostinho, tão lindo e familiar pela primeira vez.

Mas o melhor de tudo, foi constatar mais uma e definitiva vez, que  ela tinha outra historia e certamente não sofreria as mesmas dores, estava preparada ,uma adulta plena e senhora de si, nunca  estaria refém ou a mercê de nem uma perversão humana ou cultural .  Foi exatamente isso que me trouxe um sensação maravilhosa de dever cumprido.

Sei que o sentido de zelo e autopreservação não torna os filhos imunes às dores da vida, mas sei que enquanto puder estarei por perto como um continente para dar ancoragem e como uma guardiã, pronta para agir se for preciso.










20/05/2015

Laranja Mecânica

                       

Ainda posso lembrar a impressão que tive quando assisti Laranja mecânica, foi uma única vez, apesar da genialidade da proposta,  foi o que bastou. Lembro como foi desagradável do começo ao fim e ao mesmo tempo como era inacreditável que alguém pudesse roteirizar cenas de violência e sexo de maneira tão verossímil e  desagradável.

O filme sem dúvida provocou os chamados “espantos filosóficos” e com ele muitos reflexões, sobre a contemporaneidade.

Sem dúvida o personagem do Alex protagonista que passa de vilão a anti herói daí para vilão novamente,primeiro por sua violência sádica e desmedida depois por servir de cobaia para um estado perverso então em fim o retorno para seu ponto de origem e caráter.
 
O filme é brilhante, possui uma linguagem própria que faz com que o expectador sinta um o mal estar esquizofrênico de uma civilização decadente. Faz um critica social violenta ao sistema como um todo. Denuncia a inercia contemporânea em suas mascaras e marcas mais profundas. 

Escrito e dirigido por Stanley Kubrick é uma adaptação do romance de Anthony Burges.

Alex virou ícone como símbolo de rebeldia e sintoma social, milhares de fãs tiravam fotos com aquele olhar invertido carismático e violento,relembrando subjetivamente  que a doçura pode ter seu avesso.

Como não lembrar os Drugres, assim que Alex chama sua gangue, um grupo de jovens delinquentes. A palavra é proveniente do idioma Nadsat, criado especialmente para o romance por Anthony Borges que era linguista e escritor, ele misturou palavras em inglês,russo e gírias.

O critica cultural fica clara em muitos momentos  um deles na  violenta  cena do Estupro quando Alex começa dançar e cantar  “Singin in the Rain” , o contraste do ato com a alegria plástica do personagem marcam de forma paradoxal o imaginário popular.

E a Leitaria? O bar onde os Drugres vão beber uma mistura de leite com drogas. Pode ter algo mais simbólico, para denunciar a contaminação social?

E o tratamento Ludovico? Tão perverso e absurdo quanto a deliquescência de Alex, atual no sentido de mostrar o fracasso de nossos sistemas carcerários, que nada mais fazem do que fundamentar e requintar a violência social .


Um filme difícil de ver, porem sem sombra de duvida traz muitas questões para debate.

23/01/2015

MATAR EM NOME DE DEUS É HOMICIDO DUPLAMENTE QUALIFICADO COM REQUINTE DE CRUELDADE.


Apesar de não apreciar esse tipo de humor, por questões ligadas a área de ciências humanas, não pude deixar de admirar a ultima capa  do jornal  ‘Charlie Hebdo’ Trazendo a Charge  com Maomé segurando cartaz ‘Eu sou Charlie’
Ela  me lembra muito, a ideia de Deus todo,tudo,  lembra também e sem sombra de dúvida o querido Spinoza (para ele tudo que existe é Deus)então apartir disso ,vejo uma proposta, para confrontar  a  estupidez : a brutalidade não esta na religião seja ela qual for, mas na cabeça doentia de uma minoria ,que a subverte em sua brutalidade egoísta e predatória e dela se apropria para matar.
A genialidade da capa nos da uma oportunidade de dizer aos extremistas assassinos que somos todos um e matar UM é matar TODOS e também a SI mesmo..GENIALLLLLLLL !!! se Deus é Charlie Hebdo ,podemos pensar que também ele é o terrorista
No mínimo , na falta de capacidade de interpretar,  a imagem ,ela em si fará seu próprio registro, não em quem é cego para matar, ou é cego para excluir,mas naqueles que ainda se formam e podem e tem a chance de se reeditar para uma vida e uma existência mais suave.
Como fica a vizinhança autogênica de axiologias tão diferentes? Essa é uma questão para o criador da Filosofia Clinica nosso querido Lucio Packter, mas é claramente obvio que ficará difícil de se sustentar se  não ocorrer pontos de convergência mais firmes, que possam caber em ambos os sistemas de valores e que não digam respeito a ação.
Quando a hipótese for equivoca, tragédias podem ir se reproduzindo sem nos dar tempo de aprender.
Para uma espécie que tem como sua principal característica a capacidade de cognitiva mais complexa e completa, não poder pensar e mostrar o que se pensa, é ,para muitos  a morte do ser, então não da pra aguentar isso  , não dá! 
É essa ao meu ver, a melhor de todas as guerras, ser calado por grotões equivocados com dificuldade de interpretação e singularidade negativa, é como se estivéssemos cavando uma cratera em direção ao sub solo da existência, densificando o nosso mundo.
Esse grupos  que habitam as catacumbas da evolução,fazem um grande estrago , a historia continua a nos mostrar, mas não representam nem o seu povo ,nem a sua religião,eles representam apenas sua LIMITIÇÃO, seu patamar evolutivo,sua ingerência humana.
Há algo de infantil  e ridículo em alguns  discursos redentores,quando se fica  buscando justificativas,para brutalidade e a covardia. Esses porquês servem apenas para uma meia dúzia de narizes, geralmente os mais entupidos.
Em uma  democracia , todas as pessoas tem o ou deveriam  ter o direito de se expressar, de dizer o que pensam, mesmo que isso não seja tão bonito e tão agradável,.
Penso que para um ateu ver adoração irascível , cultos de castração e assassinatos ,seja e é tão ou mais agressivo do que uma charge , no entanto isso não lhe  da o direito de tirar a vida de ninguém.
Usar Deus ,Maomé ou Algo  QUE O PARTA , é uma desculpa perversa típica de mentes limitadas,acorrentadas pela sua única e definitiva “verdade”.
No  filme "O Nome da Rosa" podemos relembrar o quanto poderoso e assustador  pode ser o riso e o humor atrelado a isso.
Acredito que nada tem valor maior que a vida, e a força da crença deveria ser subordinada a essa lei maior, assim como deveria ser mais construtora do que a descrença, e é,se for ver é.
Justificar isso, o assassinato, seria endossar a brutalidade. Nem um ser humano merece esses extremos, nem o de morrer nem o de matar , mas quanta vida sai da morte? Que absurdo  são  esses espantos ,que seres tão densos nos impõem?
Também entendo que o humor, até esse que desconstrói tem uma função estruturante intransferível, ele é um desfragmentador de extremos e absurdos ,sendo absurdo, se veste de espelho para dar ao outro a oportunidade de se ver num mundo que não é só o dele, propõe que ele conheça um NÃO EU ou seja o  OUTRO.
Essa coisa de dizermos que eles "pediram ou provocaram",não revela uma visão comprometida por uma inquisição medieval ,que ainda afogueia nossa visão de mundo?  A coisa da culpa , da expiação , a de que somos todos pecadores?
.Afff isso sim é uma praga! NINGUEM tem o direito de matar porque não gosta de um determinado tipo de humor, quem faz isso ta morto enquanto pessoa enquanto espécie. Nem existe, é uma roxa grotesca ainda em deformação ou  um tornado que termina  quando acaba o vento.
É intrigante pensar na coisa do irmão contra irmão, essa acho que é uma grande questão para o futuro,quem sabe trocar o pai celestial que na verdade é um padrasto adestrado pela vontade de poder humana para o pai espécie e vontade de vida, o grande propulsor?
Então,  que dele venha , depois de estarmos atentos ,uma evolução menos utópica, pirotécnica e densa. Que possamos olhar para esse pai de frente sem medo, reconhecer seu poder alienante, ama-lo com prudência e atenção sempre lembrando que sua historia é contada por homens e distorcida desde que seu conceito foi criado,
O que acho interessante é o seguinte, se formos para países de origem Muçulmanas, temos que nos comportar como as leis e os regimes deles, como nos  impõe,quando estes  vem para o nosso pais, temos que continuar nos comportando como estão nos impondo? É O HORROR!!
  O que é isso , que a psicanálise chama de perversão?Na filosofia clinica quando apenas o que eu penso ,acredito  existe, ignorando totalmente a diferença e o desejo doutro seria o extremo da inversão.
Talvez o mundo precise mais que possamos ir ao lugar do outro para poder entender melhor, praticar aquilo que a Filosofia Clinica  chama de recíproca de inversão.
Se na democracia da França a liberdade de expressão permite a sátira e o humor aos extremos é direito soberano dos seus cidadãos a expressão.
 A perversidade não tem religião,  partido político ou ideologia alem da mente do sujeito que  pega a cultura seja ela qual for e a deforma em sua realidade mental ,a torna densa , limitada e isso vale tanto pra quem satiriza quanto pra quem repudia.
Acho maravilhosa  a mistura de raças e credos, mas também acho que se eu vou para sua casa e decido fazer dela a minha casa ,não posso e nem devo expulsar seus valores e comportamentos porque eles não me agradam.
Tenho muitos caminhos a seguir, posso me retirar, posso ,pedir e explicar o quanto isso me ofende , posso tentar entender o que aquilo pode  ensinar e se mesmo assim não for possível um acordo,tenho que achar um meio de ignorar isso ou de mudar o endereço.       Matar? NÃO!
A negação do outro está por ai , assim como as perversidade estão , nos grupos, em pares,com solitários ,nas igrejas, nos partidos,nas famílias,na cultura e sempre pode se apropriar de um motivo que justifique suas barbáries
 A escolha  de respeitar irrestritamente uma religião ou qualquer coisa que seja me parece muito perigosa pois ela pode ser uma viseira,uma vez que seu olhar tenha sido abalado, na sua capacidade de discernimento, você pode se tornar cego de arbítrio.
Veja só que interessante, que esse “ respeito irrestrito” pode ser  justamente uma das variáveis  que dão poder a pessoas extremistas como Hitler e a esses assassinos. NEM uma crença ou pessoa ,pode ter esse poder ele é tremendamente insalubre a existência ,porque simplesmente a desconsidera.
Quando uma pessoa tenta se apropriar da verdade, muito pouco consegue alem de correntes.


Alba Regina Bonotto/Curitiba, Janeiro de 2015

07/11/2014

Partilha

 Uma máscara aparece aleatoriamente no meio da multidão é o "V" de vingança, resta saber: que vingança é essa? São estarrecedoras as  razões distorcidas, que muitas vezes, ignoram  completamente a raiz de sua determinação.

A politica sempre foi um prato cheio para projeções,quando alguém se enche de ódio para falar de um determinado politico  ou partido, o exagero e a exacerbação pode estar  denunciando algo inversamente oposto ao discurso,  aproveitando o personagem como um veiculo para desaguar frustrações de outra ordem. Algumas represas afetivas podem dar conta de justificar silenciosamente tais respostas comportamentais,   quando se trata por exemplo, de sentimentos antagônicos ligados a uma figura de  laço afetivo profundo , com  a proximidade de tal evidência, que não permitiria nem um tipo de sentimento se quer parecido com ódio.

 A hera tecnológica sistematizou  a coisa da infestação humana excluindo o isolamento por percepção cognitiva, este a quem da noção do isolamento Geográfico e Físico ,vai induzindo o mundo sensorial que sofre reformulações de alguns padrões mais primitivos,é interessante  pensar em sensações que nascem a  partir do pensamento .

O que no passado selava um acordo através do  aperto de mãos, hoje se faz  com um  click entre milhares de pessoa, estes asseguram o compartilhamento do mundo.

Se compartilha de tudo, inclusive dimensões e versões de moral ,afetos e possibilidades de comportamentos  .

Enquanto a mente observa, muitas vezes displicentemente, conquistas e barbarias de múltiplas culturas, passa a ter também por essa via, mais sinapses de consciência, ainda que a banalização das imagens amorteça as  reações,tanto da inércia quanto do movimento,chegamos ao novo sistema de partilha,só que agora não é mais de alimentos e serviços agora é o de consciência.

Na ordem pratica e imediata  das necessidades mais sutis da vida humana,isso pode não significar muito, mas ao longo prazo é revolução certa . 

 Podemos sentir , ver, ouvir, invadir ,espiar, marcar ,corrigir, ocultar e diluir nossas ideias, fazemos  nossas próprias censuras . Acredito que um dia a máxima "respeitar as diferentes culturas", mude de sentido ,devido a proximidade e a paridade de ideias e  que a grande  cultura a ser consagrada no mundo  ,seja a do valor a vida , ao amor  e as múltiplas formas  existência.







06/11/2014

A Infestação Humana



Observe como as pessoas se organizam tranquilamente e naturalmente  para  fazer um "hola" em uma partida de futebol.  Veja também, a rapidez eficiência  para ajudar  vitimas de grandes e devastadoras ações da natureza,

Então quão incrível e cheio de força e efeito é a a frase " O giganteante acordou",que gigante será esse?Será mesmo que ele tem algo a ver com o mundo externo?Tenho sérias duvidas.

Tente subir ao pico de uma grande  montanha então perceba como os pontos vão unido as coisas e modificando a paisagem.

Experimente andar entre os trigais e sinta quão estranho e maravilhoso pode se estar, sem a obrigação de ser igual.Contrastes moldurando uma personalidade diluída . Intrigante!
Ha momentos que só a infestação humana pode agir, fazer diferença e revelar a direção da humanidade.

Em meio a agrupamentos de massas o anonimato consegue a façanha de libertar alguns grilhões dando uma experiencia incrível e transformadora,isso como a mesma força e potencial que imbeciliza e torna a  singularidade ignorada  ,muitas vezes , jogando por terra todo o papo do ser racional, idealista,do livre arbítrio  do ser que escolhe, do ser que evolui .

Despidas de suas mascaras cotidianas, algumas pessoas  aderem a  Infestação Humana ,onde  em instantes  irá se liquidificar ,para então  ser o ser universal, com isso pode, em alguma instância vivenciar  a personalidade cultural ,nela nutrir, extinguir e até mesmo denunciar algum tipo de equivocidade social , necessidade de pertencimento , invisibilidade , até algo de sua mais bruta estiticidade .

Alba Regina / Junho de 2014

01/11/2014

A Impregnação

Uma forma de contagio cultural, acontece por impregnação de imagens em conteúdos de noticias impactantes, compartilhadas em "real time" por milhares de pessoa, isto posto a qualquer área de cunho real ,imaginário  ou  simbolicamente significativa na Estrutura de Pensamento do sujeito,pode provocar respostas das mais surpreendentes consequências.





Alba Regina/ Novembro de 2014

Multiplicidades



O conhecimento não pode mais ser monopolizado,e neste processo apesar de alguns bilhões de retardatários a mente humana começa se expandir fazendo uso de suas ferramentas de extensão,tais como as que o mundo virtual provê.

Ainda precisamos aprender sobre as distorções deste caminho.

Muitas buscas compulsivas e rasantes, o mergulho fica por conta do interesse pessoal, com isso uma especie de modulação programada vai se instaurando no complexo mental.

Buscas seletivas vão criando uma sensação de pertencimento, destacando diferenças e multiplicidades.

Alba Regina /Novembro 2014

31/10/2014

O Ser Urbano




O ser urbano sai de suas tocas, para participar de um grande aventura, a de se misturar a multidão  , como no caso das manifestações, dos shows ,viradas culturais, mostras de cinema e outras mais, encontrando por   ai entre outras coisas uma possibilidade de resgate existencial, movimentando-se na busca de contagio ,por coisas   mais sublimes como a de sair de um egocentrismo  deformador em direção a um todo estruturante.


Alba Regina/ Junho 2014

O Eu Ai



Intrigante: O grande estar ai  da modernidade significativamente pode ser verificado em uma especie de  espelho refratário propiciado pelo "clic" de maquinas fotográficas, em um  instante afetivo do eu em self.

Alba Regina 31/10/14

Sobre o poder da Conciência

Seria a Consciência o caminho mais seguro para validar nossas ações?

Se a consciência por si,surgisse da mais pura observação ,poderia ser um dos  caminho,porem bem sabemos que ela é carregada de moral , de tatuagens culturais,cicatrizes empiricas , pulsões misturadas e primitivas,então ela por si só ,não pode ser bandeira para definir algo dessa monta

25/08/2014

Origem dos Deuses

Eles não são seres ,não são pessoas,muito menos são coisas ou objetos possíveis.
São nada mais e nada menos que sentimentos
.Nascem no justo momento em que a primeira alegria ou a primeira dor acontece.
Vão se desdobrando entre os prazeres sensoriais primitivos e a expressividade.
Conforme a força em que se apresentam causam tamanho espanto que não são reconhecidos em toda sua abrangência. Existem só e  a partir do sujeito homem, seu  primeiro motor .para o surgimento do lugar  Deus ou  um efeito projetivo de externa ação Na insuportabilidade do vazio ,da solidão que acomete o ser humano e pela força devastadora que esta realidade provoca em sua mente , estes Deuses entram em ação,criando paragens para que essa mente possa recuperar  forças e seguir a vida, como quer a vontade de viver .A resiliência então é a grande morada dessas forças que singram pela atemporalidade do pensamento, multiplicando-se,desdobrando ou até se retraindo a  cada percepção afetiva.

29/04/2014

Analise do Filme "O PERFUME"


O PERFUME - Analise filosófica.

 Um filme recheado de detalhes sobre o super olfato do protagonista , eficiente em mostrar a personalidade perversa e impermeável de Jean Batptiste, muito bem interpretado por Ben Whishaw, que personifica um serial killer  , obstinado em  sorver o perfume das mais  belas moças,todas muito jovens,angelicais e virgens,verdadeiras flores a desabrochar ,que precisam ser colhidas no auge de sua pureza. Isso posto na  visão doentia e limitada do personagem, representado com muita agudeza em suas distorções, como espelho dos resquícios de uma cultura  medieval .

Infelizmente,  são distorções  ainda bem próximas do imaginário contemporâneo, em que a pureza e a virgindade seriam sinônimas.

Contextualizando o cotidiano e a cultura da França do Séc XVIII, mostra como a pobreza, a sujeira e o mal cheiro imperavam.

Foi precisamente neste quadro social, que nasce Jean Batptiste,   entre cabeças e escamas de peixes. Seu primeiro grito pela vida  resultará na morte de sua mãe .Assim cada vez que o personagem sai de um contexto para entrar em outro, um padrão de ação e reação é formado. Um rastro de mortes recai sobre seus passos, mesmo sem que tivesse qualquer intenção ou ação direta sobre os acontecimentos.

Este movimento serve como uma simbologia distorcida sobre as mudanças de etapas da vida, mostrando o peso e as perdas que o ganho da maturidade pode trazer para algumas pessoas. 

Vemos um ser humano que se constrói a partir de um mundo  árido ,desprovido de qualquer afeto ou aconchego familiar, jogado ,explorado e abusado emocionalmente.

Sua personalidade perversa  vai despontando como uma rocha dura , inquebrantável, sendo moldada basicamente por registros olfativos. 

O personagem, de alguma forma, personifica o mito da caverna, na singularidade de seu mundo interno, formado por suas impressões e sensações primitivas , sem o crivo da moral ou da ética . Isto posto ,vale lembrar que Platão nos alerta ,para as distorções dos sentidos, sua imprecisão e inferioridade diante do mundo das ideias  .

Mas como fica o mundo onde todas as concepções afetivas e cognitivas se fundamentam apenas por um dos sete sentidos, o olfato?

 Jean Batptiste nos da uma ideia aterrorizante de como essa dominação sensorial  pode forjar uma existência. 

A história é rica em detalhes sobre o universo olfativo, também muito bem fundamentada na questão criminal, mostrando o aspecto ritualístico de um criminoso, suas compulsões, manias  e obsessões.

O Perfume é um prato  recheado para o encontro  de fundamentos psicológicos que vão determinando o comportamento do sujeito e seu destino trágico. Muito eficiente em nos fazer ir além do roteiro, faz com que enxerguemos o  sentido e a lógica que move aquele assassino.

Jean Baptiste parece andar na busca  de um cheiro próprio,de uma identidade, do amor das pessoas. Talvez seja isso, é difícil saber ou julgar, mas quantas  atrocidades já foram cometidas por muito menos? 

Chamo atenção para uma cena que acontece em praça pública, onde minutos antes  de cumprir sua  sentença de morte, Jean Baptiste, abre o frasco e joga aos sete ventos um cheiro único, puro , a essência de todas as essências. Quando a multidão  é arrebatada pela força sensorial ,não há mais limites, roupas são arrancadas, todos ficam nus e inflamados de ternura e  amor . Ninguém escapa, nem os que sofreram mais profundamente o peso daqueles assassinatos podem resistir.

O Perfume faz surgir a compaixão tão ausente  na vida daquele ser e,  através dele, Jean leva a multidão até o lugar onde sua própria experiência olfativa o estruturou, enfim neste instante, pode encontrar a sua tão desejada existência . No gozo em seu olhar o prazer equivocado sobre a fantasia de estar incluído, de estar entre iguais. 

O perfume idealizado o movia arrancar  vidas, com a mesma motivação que um florista arranca flores .O fato de ter surgido dos lugares mais baixos  e densos e sua capacidade de sobrevivência se amparam na busca de seu próprio cheiro e com ele talvez uma fantasia de ser amado e incluído  . Uma fórmula que leve o mundo em direção às sensações mais doces e suaves ao prazer supremo. 

Jean Baptpiste fundamenta toda sua existência onde uma criança teria apenas as primeiras impressões do mundo , ele decifra a vida pelo cheiro, que dela as coisas e as pessoas emanam. 

Shakespeare no seu imortal  Hamlet nos agenda na duvida do seu "ser ou não ser,eis a questão" . Como seriamos se submetidos a mesma realidade da vida de Jean Batptiste? Ser ou não ser pode ser simplesmente uma questão de condição de possibilidade e adaptação. 

Por fim, diante da nudez plena da espécie, nada mais parece ter sentindo  a frente da própria força da vida e, neste movimento o monstro, é devorado  pela mesma paixão que movia seus atos.

 (Alba Regina Bonotto)

31/07/2013

Flores e mais Flores


Há em nosso tempo, uma urgência , quase uma obrigação, a de que temos que descobrir os porquês de tudo que fazemos ,desejamos e pensamos.  

Parece que o ser humano evoluiu muito neste movimento, mas isso tem uma contrapartida, porque a pergunta insistente e repetitiva, muitas vezes o faz girar em torno de si,  tal como um pneu roda na lama, fazendo buracos inertes, falta-lhe atrito e aderência.  

Há uma parte de nós, que precisa ficar desconhecida, para garantir que o movimento intelectivo aconteça livremente e para permanecer a salvo de nossas ideias preconcebidas, carregadas de prejuízos culturais.  

Desconhecida, se mantém como a coisa em si , e eu diria ainda como " a mais original das coisas de si" que habitam nossa mente. Entendo que é justamente esta zona neutra, este país desconhecido, que nos ajuda a criar novas rotas para vida.  

Enquanto alguém,  sai das sombras, abandonando seus fantasmas para ser, mais e mais o que é de fato, cria uma rota de seu mundo interior  para seu meio, dai também surgem possibilidades de atritar a realidade até que a aderência aconteça. Como pedra lascada , pode produzir instantes cheios de fagulhas que acendem seu primeiro motor  existencial e assim , começa a tração, criando interessantes movimentos em direção a superação de limites até então inconcebíveis.  

Recentemente um bom amigo, me alertou zeloso, alguma coisa  sobre o sujeito vender a ideia de uma coisa(  ainda não sei o que é essa coisa, talvez seja a fruta do conde) , mas entregar uma abobora,  o que achei muito engraçado , pois fiquei me perguntando, porque uma pessoa venderia A por B ? Não pode ser uma abobora que vira outra coisa as vezes?(tipo um recheio de tortei).

Será  que quando alguém aceita um convite nosso pra jantar, em nossa humilde casinha ,ficara decepcionada se você  servir um prato principal refogado com abobrinhas a dorê ,cobertas com uma deliciosa ricota e temperinhos verdes? 

Porque uma coisa tem que existir sem a outra, será mesmo que o problema é o que se esta vendendo? Mas e quem compra? O que comprou e o que se quer vender de fato ?  O que há de errado com aboboras? Para algumas pessoas pode ser uma grata surpresa, ainda mais as que são vegetarianas, alias ao que me diz respeito, tenho muito mais alegrias e tenacidades nas minhas "abobrices" do que nos movimentos mais requintados que minha mente possa produzir 

Talvez seja esta uma leitura  carregada de prejuízos, que não me dizem respeito, faz parte daquilo que o outro vê através de suas representações, algo de sua estética comportamental ou  até de suas utopias emocionais. 

Fica o convite, para uma grande experiência, a todos que estão ilhados na busca do porque de tudo que há em si : Que tal experimentar o desconhecer-se? Então mergulhar em um espelho com imagens desenhadas pelo olhar do outro? 

Uma nova referência surgira deste movimento, fria , incandescente ou seja lá o que for. Nela se poderá sentir sua tez , que ao tocar sua consciência,  reproduzira a  textura do próprio vidro que a reflete. 

Quando em meio ao deserto de certezas,  também descobrirá as representações cheias de limites que outro lhe impõem, perceberá que ele, apenas apreende de você, fragmentos que na maioria das vezes não existem fora da subjetividade  que o constitui  como sendo um não você, nesse instante la estará ele, revelado também, pela forma que representa você.

Há algo que  na verdade ,não foi vendido, mais certamente e  equivocadamente comparado. Isso posto chega-se facilmente aos aspecto especulativo das ideias e conceitos, que tentam universalizar o humano,material rico,um novo saber para as rotas singulares a seus desejos mais secretos.

Temos que considerar , o próprio observador, que por vezes se faz juiz e o redentor, sendo que ele mesmo é humano, falível e limitado. Quando o descubro nestes limites , é justamente sua nudez que me traz empatia e compaixão afinal tem abóboras ali também. 

Ser uma coisa e ser outras muitas, também é algo do humano. Desconheço pessoas que não tenham estas convergências em algum momento, basta um olhar menos carregado de paixões se poderá ver, que estão muitas vezes , a serviço da sobrevivência e integridade daquela malha intelectiva, são competências de uma existência. 

Nem mesmo os mais castos ,que buscam libertar a singularidade escapam disso.  Na sala de estar, podemos receber muitas pessoas, mas poucas têm condições de adentrar em sua moradia interior, ainda mais se existir muita beleza por lá, tem pessoas que simplesmente não suportam a luz nem mesmo descobrir as diferenças entre o seu eu e o eu do outro.  

Mais difícil ainda, é que transitem sem desejos de posses por coisas que não podem carregar, a maioria acha que o  seu deslumbre basta para carregar o mundo.  

Mas é preciso, no sentido de precisão mesmo, notarmos que as flores, todas elas , por serem lindas e provocarem muita inspiração , encantamento e por produzirem os mais deliciosos perfumes,aguçam nosso desejo de captura. Quem nunca desejou colher uma flor? Mas o lugar delas é estar a onde estão, também é assim para as abóboras, apesar de muitos acharem que  elas só existem para  alimentar.  

Analogamente, como seria isso  para as princesas? Ha algum lugar melhor para que existam  do que nos contos de fadas?Não são eles uma coisa que na verdade são muitas outras? Não esqueçamos que as distorções também são protagonistas dos mais belos sonhos .

17/07/2013

Star Trek 2

Assisti o Star Trek 2 , achei bom demais, efeitos na medida , humanidade  e uma turma nova, charmosa com personagens complexos e cheios de personalidade. Minha paixão vai para o novo e imortal Spock , como sempre contendo suas emoções e lindamente buscando o equilíbrio das decisões como se diz na Filosofia Clinica , por epistemologias,esquemas resolutivos , axiologias (valores)argumentações derivadas , dados , estatísticas. 

Sempre tive pra mim, que o Spock era amais distante e mais frio porque todos no planeta dele eram assim, então ele seria sujeito da cultura do seu planeta de origem e até mesmo da sua especie, sabe, um quase robô emocionalmente, mas neste episódios ele mostrou, que este comportamento surge de uma escolha , um padrão comportamental para não sofrer o efeito trágico das perdas , de  dores ante algumas mazelas da vida , mas vemos que no entanto, ao final ,na hora H , acaba por revelar que essa técnica nunca funcionou muito bem.

Adorei ver o Spock, jovem vigoroso e o que é melhor, de namorada,uma verdadeira gata morena,super ligada e sensível , e na hora da ação então?  Ele corre que nem loco para depois entrar na maior luta corpo a corpo com o super mega e intrigante vilão Harrison (Benedict Cumberbatch), muito bem interpretado, faz um ser primitivo, super futurista para nossos padrões de conhecimento tecnológico,que nada mais queria alem de salvar seus tripulantes e dominar o mundo. Pra quem gosta do gênero é imperdível!!


                              

16/07/2013

Santa Gula



Ninguém comenta sobre isso mas conheço pessoas que tem envolvimento erótico pelo puro,casto e divino, não posso imaginar coisa mais sacana.  Você concebe um sujeito tendo uma ereção por associar a imagem da companheira com a de uma santa?  

 Bem , se existe a santa gula , ela tem muitas caras e dentro de alguma logica , é esta entre muitas, uma forma ou uma "sacanagem" que pode atingir o proposito de fomentar por idealização o desejo, mesmo que por vias estranhas, dai não cabe fazermos juízos de valor,  o problema é quando uma das pessoas em questão, incorpora o negocio e fica sujeita e refém ao fantástico,  as máscaras idealizadas que o outro lhe impõe, ao criar  realidades paralelas, ou seja , percebe aos poucos, que ser real aos olhos do companheiro é ser insipida ,inodora e incolor e até mesmo invisível, alguém sem graça sem capacidade de lhe despertar o desejo . 

Quando  ambos entendem acordam e assinam  esse mundo de fantasias como ideal,não ha problema . mas nem sempre é assim,  ha que se rever tudo isso quando a pessoa  bate em sua porta, toda machucada ,com hematomas que não são visíveis, mas uma dor emocional sem origem especifica  a levam intuitivamente  em busca de ajuda, afinal entre o que ela é e o que ela deseja ser, ha uma entre muitas realidades, a da cópula  pode ser a mais relevante e a mais submersa e esta sem duvida é o resultado de muitas outras variáveis a serem investigadas.

Vale pensar, na questão da posse, pois se por um lado, a cultura favoreceu até aqui as uniões sagradas em matrimonio, a realidade social da contemporaneidade não da espaço para relacionamentos míticos e irreais .          Haja terapia para quem é sugado para vida real e chamado para comparecer existencialmente, ou seja , a nova ordem é para que as pessoas existam e se movimentem numa consciência do presente e que ela use o máximo de extensões do eu em cada minutos a internet tem ajudado muito neste proposito. 

Não é incomum  
 à estas mulheres,  ao se manterem " santificadas", para a baba de seus parceiros, que desenvolvam com o passar do tempo, algumas doenças graves justamente nos lugares que mais tem que ignorar a sua natureza corporal.  Você pode se perguntar, se isso ainda existe? Existe sim, e muito mais do que se imagina, principalmente no nosso pais com essa cultura vinda das catedrais e oratórios.

A humanidade esta em evolução, por mais que seja lenta ela  suporta relações mais sutis e suaves, sem tanto juízo ou julgo interpessoal e sem tanta fatalidade em relação ao certo errado, porque muito alem de tudo isso, são as relações possíveis que prevalecem.

Claro que a singularidade, tem que sempre ser levada em consideração, mas não da pra ignorar os códigos de valores comuns que fundaram nossa geração, mesmo quando andamos as avessas ainda estamos a serviço deles, mas a noticia boa, é que quando alguns de nós, se ocupam em elaborar essas idiossincrasias, nesse movimento, acabam por permitir mesmo que rapidamente, para a nova geração, outras possibilidades que não impliquem tantas distorções,pois que a liberdade sexual ja é uma realidade,a cultura  não tem tanto temor ao poder que o sexo tem e não precisa deformar tanto a formação da libido infantil . Então a nova questão existencial da contemporaneidade não passa tanto pela conquista da liberdade como foi para geração anterior, mas sim é conquista da felicidade que importa e tem mais relevância.


 Em uma palestras sobre a "fragilidade, entre amor e sexo" o psicanalista Flavio Gikovate, diz,ao responder uma das perguntas, que se "abram as portas para o futuro", para que possamos ter relações mais reais, que aconteçam antes de mais nada entre amigos, entre pessoas parecidas e menos a serviço da cegueira da natureza, que não parece se importar com a qualidade e sim com a rápida chegada a seu alvo procriativo. Serão relações repletas de humanidade, que reconhecerão o outro nele mesmo e separado da zona de possessão, e nele mesmo, sera feita a dança mais rica do amor ,sobre, entre e com o desejo.  

Ha muita fragilidade ainda nesta fronteira tautológica, entre o amor e o sexo, talvez ela não exista de fato, mas se existir, pode estar muito mais ligada a distorções na direção das pulsões, aos limites físicos e emocionais, incutida por uma cultura que ainda não sabe que ja morreu, e nada mais faz do que andar fantasmagórica na mente do humano, sujeito de sua historia ,sujeito das tatuagens culturais, surgidas antes mesmo que ele possa fazer qualquer escolha.

drogadicção e o  abuso de álcool também passam por uma tentativa desastrosa de amortecer a força fragmentaria deste torpor, causado pela velha escola existencial,  que não leva em consideração aspectos básicos que se situam entre a vontade e a possibilidade, a velha navalha que separa o corpo do coração, que quer distinguir entre a inspiração e o ato, que se cega para coisa toda, como extensão da própria possibilidade de existir. 

Espero que esta dualidade um dia, mesmo que tardiamente, seja vista como primitivismo emocional em função da chibata moral  e que o ser humano possa se saber em seu todo, que possa lidar mais com seus limites, seus opostos, suas contradições e ter mais coerência com aquilo que compõe seu todo existencial . 
                                              

           Por Alba Regina Bonotto.