15/02/2018

TRAMA FANTASMA- OSCAR 2018



Fazia um bom tempo, que eu não via um filme retratar o comportamento Manico Depressivo com tamanha plasticidade.

O romance vale por muitos aspectos, primeiro sem duvida alguma é a beleza e profundidade estética do protagonista.   Interpretado por Daniel Day Lewis,o retrato é o da vida de um estilista famoso Sr Reynolds Woodstock ,que encontra em Alma (Vicky Krieps) , sua mais nova amante, a redenção e “ fuga para saúde”. Este encontro, mergulha na profundidade , fragilidade e sensibilidade  de seus interlocutores . Perfeito ao ser engatado  por neuroses , ao mesmo tempo que liberta ao se equilibrar em ousadia e até mesmo em questionáveis  perversidades  amorosas.

Rendendo-lhe uma  indicação ao Oscar , Daniel faz Reynolds carregar  em seu olhar profundo e misterioso, a sedução,  enquanto aos espectadores mostra  claramente o turbilhão de contradições em sua mente atormentada  .

Em um de seus muitos episódios de depressão, ao buscar paz e lucidez,  encontra Alma ,quando se vê envolvido em mais um romance , a torna amante, ao mesmo tempo que  se alimenta de dor para suas criações.

Alma entrega-se a vida e ao amor do mesmo modo que Reynolds  a criação de seus vestidos, a diferença é que Alma vai se fortalecendo tornando-se maior no amor e na vida, enquanto  Reynalds continua andando em círculos com seus afetos e seus fantasmas.
Há uma lógica clássica na obsessão do protagonista.

- O mundo ao seu redor precisa estar milimetricamente acomodando conforme Suas demandas  psíquicas , de uma falsa e fantasiosa força  que lhe seria aparentemente continente e estruturante, só assim e a partir de então  poderá mergulhar e perder-se completamente em um lugar onde ira criar ao transformar sua angústia em beleza

Essa criação, surge de um fórceps cognitivo de tamanha envergadura ,acabando por obrigar o corpo a padecer , para que o homem retorne ainda em tempo de executar sua obra.

Para alem de tudo isso, o que mais me empolgou na historia toda, é o caminho seguido por Alma, quando traz o veneno como bem orquestrador de “cura” ,o veneno derruba, traz a tona a  percepção a corporeidade,o sensorial e recoloca o Ser no seu lugar  de humano, facilita a fragilidade para que possa ser parido no amor.

Se nos dias atuais um diagnostico de transtorno maníaco depressivo ou de Transtorno Bipolar ,leva em media 10 anos para ser confirmado , imagina na década de 50?

Por FIM o final e este vem trazendo, de forma magistral o pacto do casal e o reconhecimento da  ética escolhida e assinada por ambos.

Foi demais, tão bom que me deu vontade de escrever.Bravo!

Parabéns ao diretor Sr. Paul Thomas Anderson , que em sua própria obsessão conseguiu retratar com profundidade a neurose a beira do abismo  e a beleza no ápice da construção humana , ambas costurando-se entre tramas afetivas.
Analise critica por  Alba Regina Bonotto.

Um comentário:

  1. A análise é muito interessante. Deu vontade de ver o filme.

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