05/10/2010

Resenha do filme :Abelardo e Heloise


Na versão para o cinema desta historia, temos uma manifestação da força existencial, revelada pela certeza intuitiva e intelectual da personagem de Heloise. Nosso querido Abelardo parece fraco e não tem certeza do que sente (é justo afinal, sentir algo não universal, para quem quer resolver a questão dos universais? sua predisposição acadêmica pode revelar sua predisposição amorosa, eis o conflito incubando o existir do Filosofo), sente-se culpado por desejar tanto sua amada não entende que desejo é apenas o reflexo, o alimento de algo maior . Abelardo tem sua forma de amar empobrecida pelas duvidas dogmáticas. O pobre já era parcialmente castrado, quando fez o tal voto de castidade a que os mestres eram submetidos naqueles tempos, a castração  em seu falo literal apenas revela uma auto-castração tendenciosa e dogmática. Já Heloise, não conhecia e nem reconhecia a castração nela mesmo, ela acreditava na beleza do amor, sabia que o sexo entre eles era parte integrante de um amor não a parte determinante, ela em si não o tinha como culto comportamental . Sexo era apenas sexo, o olhar de Heloise não estava focado nisso. O sexo era natural puro e espontâneo. Ambos tinham fome um do outro. O sexo apenas os acalmava diante desta linguagem sintônica , perfeita, rara e atemporal de  comunicar através da mente que caminha sempre de encontro a patamares de felicidade plena. Revelada por inspirar e isso sim, era e sempre será gigantesco e imortal. A grande sacada do diretor a meu ver foi mostrar que o que liga a mente ao desejo do corpo não esta condicionado aos órgãos genitais. O desejo entre eles continua e o fato de nossa Linda Heloise aceitar viver do modo que aceitou nada tem a ver com estar sujeita a dogmas  pois era completa demais para isso. Foi uma maneira de respeitar um pouco do "potencia social do seu amado", e mantê-lo acreditando que podia cuidar dela ou seja foi uma forma de manter a virilidade emocional de Abelardo e por sua vez , manter-se viva neste amor.


Heloise consegue Transcender através do amor e nisso ela esta ao olhos de quem pode sentir, ver , perceber, intuir muito mais que revelada ela acontece no amor.Ela se torna ato vivo no amor.Enquanto que Abelardo é compositor da lamuria cristã daqueles tempos, a fé para ele passa a existir a partir da falta , da castração, da dor e principalmente da privação carnal. EM tudo isto percebemos a eficiência do castigo, da privação economia e da dignidade social na manutenção de adeptos fervorosos.


Nossa Linda Heloise não viveu de forma plena seu amor, primeiro porque um amor como este só pode ser pleno se não ameaçar a dignidade e a saúde do objeto deste amor, segundo porque Heloise era uma "passarinha" tanto na forma de construir seus pensamentos,  na forma de propor soluções como na forma de viver suas emoções. Porém , Abelardo já havia sido suficientemente castigado,haviam um filho a ser protegido do ódio da inveja e da mesquinharia. Em que lugar Heloise poderia ficar onde não ofendesse demais seus opressores, para que estes permitissem a ela ao filho e ao seu amado seguir vivendo? É difícil de imaginar, naqueles tempos o "lugar das Heloises" estava predestinado a uma pilha de lenha .
Imagino que esta escolha de ficar no mosteiro teve muitos fatores decisivos.

Neste filme podemos ver o mundo dos senitidos contemplando o mundo das ideias e entre eles o ser humano trancendental cindido pela cultura.

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