21/01/2011

MEGERA DOMADA de William Shakespeare

    Com mais de 34 personagens, trata-se de uma historia clássica e atemporal sobre posicionamento feminino e masculino. É impressionante, a habilidade de Shakespeare em retratar da alma feminina com toda sua paradoxalidade.
     As mulheres de shackespeare mesmo as mais “sem sal”,são  salgadas ,meigas, ferozes ,azedas,maquiavélicas, manipuladoras, vivas, vivas! A Megera Domada, quem é ela? Como é ela? Porque ela é assim? Sem dúvida um mulher forte, inquieta, furiosa, cheia de vida e indignada com a tolice e a imbecilidade ao seu redor. Nem um pouco incomoda por ser chamada de megera, diabo ou coisas do gênero, ao contrario parece fazer questão que assim a tenham, como um ritual de respeito e reconhecimento a sua existência.
    Existe aquém de sua imagem. Uma Criatura sem papas na língua, que não poupa ninguém de sua acidez. Fera, que se rende diante da força obstinada de seu homem que faz um verdadeiro “circo” para domar a megera. Ela é Catarina a filha mais velha de Batista, que está “encalhada”, apesar de bela e jovem, nem um homem suporta seu gênio, nem mesmo o dote de seu pai consegue ser maior do que o pavor que ela causa a todos.
    Batista ao perceber, que sua filha mais nova Bianca ao contrario da irmã, tem uma legião de pretendentes, ardorosos e apaixonados,capazes de mover o mundo por seu afeto,  promete que só irá dispor a mão de Bianca depois que um cavalheiro tomar a mão de Catariana.
    Alvoroço geral, quem seria doido para topar a danação eterna, com uma mulher temperamental destas? Trama resolvida com a Chegada de Petruquio a cidade. Herdeiro milhonario, sua vida gira em torno  da grande meta : “ aumentar cada vez mais sua fortuna”.Petruquio esta em busca de um casamento milionário, uma estratégia perfeita para imortalidade de sua herança .
    Uma fortuna se acomoda mais sob outra. Solução do impasse aos braços de Bianca, seus amigos logo falam da megera e seu dote, sem engana-lo , ao contrario pintando o Diabo com nome de Catarina. Petruquio fica ávido e ansioso pelo casamento, mais ainda para conhecer a megera. Bem avisado e como o grande estrategista que é dispõem de uma arsenal de truques para todas as cartadas de seus invetimentos, Petruquio antes mesmo de conhecê-la prepara um plano para domá-la o que põem em pratica desde a primeira fala dos dois:  Grita gesticulo sobre sua beleza encantadora, ignora os ataques e as ofensas, fala como se cada palavra  que escuta fosse uma carícia, Ignorando de forma divertida os desejos e as vontades da mesma usando a proteção e o amor como desculpa a todos seus atos, que aos poucos vão cercando a megera de tal forma que ela esquece de ser megera e começa a se preocupar em acalmar a forma forte e desorientada que Petruquio usa para manifestar sua estima.
    Casa-se com Petruquio jurando não ceder enquanto o mesmo não lhe agradar, no entanto seu agora marido não da trégua, a deixa sem comer dois dias , usando a  a desculpa que todas as comidas estão contaminadas, não permite que ela durma esbravejando com os criados ,ordenandos  severamente a  cuidarem melhor de tudo pra o conforto de  sua "Cata", assim que a chama desde o primeiro instante; briga com o costureiro, dizendo que as roupas que ela escolheu não estão a contento. Petruquio consegue em tudo ter seu humor infinitamente mais temperamental do que o de Cata, isso parece servir de espelho para a mesma que enfim vê o exagero de seu comportamento e a carência do seu esposo. Cede honestamente , para espanto de todos, entregando-se aos desejos e vontades e ordens do seu marido.
    No final ainda passa um sermão em suas amigas  , defendendo com ardor, aferino sobre o quanto uma mulher deve ser grata e servil ao esposo que arrisca a vida para o conforto das mesmas.Ao consideramos a época em que a peça foi concebida e o perfil das três mulheres envolvidas na trama , apesar do final aparente de submissão, concluímos que são personalidades vivas e ativas, que provocam todo movimento da historia.
    A maturação sexual de Shakespeare, coloca no “chinelo” a maioria dos homens do século 20. A mulher se submete sim, porem trata-se de uma escolha, a visão que teve foi de libertar-se de sua própria “megerisse”, uma vez que seu homem provou que será um grande e árduo tirando se o mundo ao redor de ambos não funcionar como deve para a felicidade e paz conjugal,  sua esposa pode guardar a energia para o amor.
    Um princípio básico, quando um é ausente o outro invade, quando um é fraco o outro explode, quando um é quente o outro é brisa. Ser exigente, ter personalidade, não se render à imbecilidade,  coloca o ser humano em um “Belvedere” sobre o mundo, porem traz dores solitárias.Quando encontramos alguém para dividir a força este lugar este "Belvedere se torna o oásis  para nossa alma, a validação de todos os esforços.Então não há submissão e tiranias e sim bons acordos par existir seguir e construir.
Resumo critico por Alba Regina Bonotto

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