05/11/2009

Do Teatro


Acrescento "a coisa em si”  do teatro
a troca entre os atos cênicos no corpo e na expressão do ator em contra partida a resposta viva da platéia

Esta relação tão próxima não permite cópia ou replica cada dia de espetáculo é único, tão único quanto o publico.

O clima cênico transporta o espectador a um portal para uma nova realidade, tão viva quantas aquelas da caverna mencionada por Platão, neste caso o ser através de suas emoções se vê diante de suas próprias sombras de seus vestígios existenciais. (uma espécie de caverna perceptiva) apresentada por outro também perceptivo.

 Para que se possa viver o momento e a proposta da dramaturgia é preciso um desligar-se do mundo das idéias e permitir-se a utilizar seus sentidos para captar os dados daquela realidade, que bem sabemos não é a coisa em si mais um sinal da mesma.

O tempo cênico não permite racionalizações elaboradas.

 Não se pode rebobinar para ver de novo e assim um saber é capturado, este saber sempre é transformador mesmo que não perpasse pela consciência, tendo em vista que a experiência penetra os portais do inconsciente e dialoga com o Universo das coisas ocultas que funcionam eficazmente através de  alguns mecanismos de defesa tais como: identificação, projeção, deslocamento e sublimação.

 Quando um toque além do sensorial tatua (em quem ali se entrega ao espetáculo) alguns "lugares" até então inundados pelo senso comum, passam a ter um valor alegórico propiciando assim a saída de uma mitologia existencial, fundada pela cultura da própria história do espectador, saída esta invisível e não cognoscível e por isso mais possível, algo que pode tomar forma na luz da transformação cotidiana, ou seja, uma possibilidade de sair de suas próprias cavernas a luz de um mundo mais valoroso do que o mundo inundado por fantasmas inominados.

Mesmo que isto aconteça por uma fração de segundos pode ser profundamente libertador.
(Alba Regina Bonotto)

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